Como eu me enxergo enquanto uma mãe que tem borderline

Segundo domingo de maio. Hoje é o dia das mães e vou retratar a questão das mães border. Não é fácil falar sobre essa temática sendo border, mais ainda diante das cobranças sociais que já permeiam a maternidade. Protelei um pouco hoje pra escrever esse texto. Aqui não vou apresentar uma visão romântica, mas real, fatídica.

Me tornei mãe em 2014 e não foi algo planejado. Eu não tinha condições de me tornar mãe, muito menos naquelas circunstâncias. Eu estava enfrentando uma das minhas piores crises. Precisava ser medicada, acompanhada e escutada por um profissional. Li num artigo científico que a mãe border tem uma limitação em identificar as necessidades da criança além das suas próprias. E não, não é que sejamos más. Adultos borderline têm a mesma maturidade emocional de uma criança. Somos profissionalmente comprometidas, apaixonadas, dedicadas, mas em se tratando do afetivo, sempre em busca de acolhimento. E se pecamos, é sempre por desespero. Excesso de sentir, descontrole. É uma deficiência cerebral, não é por escolha. Tudo numa tentativa de se auto preservar e sobreviver.

De maneira nem tão consciente assim, eu nunca desejei a maternidade. Eu não me percebia como consigo agora, como cita minha psicóloga, mas carregava comigo essa intuição. É bem provável que se tivesse ocorrido por escolha própria eu jamais tivesse me tornado mãe. Esse sempre foi meu pensamento e eu ainda titubeio bastante se desejo ter mais filhos. Muito provavelmente não. A insegurança é grande e meus sonhos são a maior prioridade. Acredito que não consiga viver a mesma experiência tudo de novo. No momento não estou numa nova relação e faço uso de contracepção de longa duração. Depois vou entrar nesse mérito aqui em algum post.

A psiquiatra Ana Beatriz Barbosa Silva, referência nesses transtornos, relata com maestria que “até uma torneira que não abre se torna gatilho” e é verdade. Fico abismada com a profunda compreensão que recebemos por parte desses profissionais tão competentes. A validação e tradução da nossa dor faz toda diferença nessas horas e salva vidas. A sensibilidade é tanta, vivemos tão à flor da pele que qualquer coisa que causa frustração machuca. Machuca muito. Um olhar, uma palavra, ir ao banheiro e estar ocupado, alguém ficar na frente interrompendo o caminho, chegar ao ponto e perder o transporte. Agora imagine não ser aceito numa oportunidade de emprego, terminar um relacionamento ou a responsabilidade que permeia criar outro ser.

Um ser que depende de você pra existir. Eu não tive essa competência, mas faço de tudo para ter dizendo sim ao meu tratamento. Se não fosse minha família, nada disso seria possível, eu devo admitir e ser eternamente grata por isso. E qual a moral da história? É saber dar o uso com sabedoria de todo esse aparato de informações. Me tornar todo dia 1% melhor por mim e pela minha filha que num futuro próximo vai encontrar uma melhor versão de mim. É sobre ser perfeita? Não. Nem ser a melhor mãe do mundo, mas é sobre estar em constante evolução.

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