Baixa tolerância à frustração e sensação catastrófica

Eu já li algumas expressões que tentavam descrever o excesso borderline. Nós não terminamos um relacionamento, entramos em luto. Não choramos, desabamos. Não sofremos, morremos por dentro. Tudo que pode parecer simples para alguns tem outro peso na forma como eu sei sentir. Sou exagerada e compreendo isto. Tenho uma tendência natural a pensar em resultados catastróficos, embora tenha uma certa intuição otimista lá no fundo acabo aterrorizada com a possibilidade da não aprovação, do abandono, da escassez. Como isso é prejudicial.

A ansiedade exagerada acaba trazendo muito peso a todo o processo, meus dias parecem não ter fim. É matando um leão por dia para superar a ideia de que o pior está sempre prestes a acontecer, e esse estado de hiper vigilância me persegue e não tem fim. Pareço ser uma pessoa mais responsável, madura e com preocupações legítimas sobre o futuro, mas na verdade isso só retrata minha imaturidade em lidar com tolerância as frustrações naturais que a vida nos propõe.

Eu me perdoo por isso até porque hoje eu entendo a minha condição e limitações a ela associadas. Não somos culpados. Por mais que os transtornos mentais são deveras mais estigmatizados que uma doença física, eu não escolhi ser especial. Eu procuro olhar todas as particularidades e ouso dizer qualidades que adquiri em decorrência disso. Sou uma pessoa super doce, inspirada, empata, sensível, com uma inteligência acima da média para uma multiplicidade de temas. E a vida é desafio. Minha terapeuta falou que não estamos aqui na Terra sem nenhum motivo. Eu não quis entrar no mérito dessa discussão sobre pós-morte, ainda não tenho opinião formada sobre isso. Mas, de fato é certo que todos temos o propósito de nos moldar e entender nossas fraquezas. A minha é entender que eu não vou obter êxito em tudo, que tudo não vai acontecer no tempo que eu quero e que também está tudo bem demonstrar interesse numa relação e que o medo de perdê-la não me impeça de ganhar. Se acabar, se eu não conseguir, eu vou apenas seguir em frente, como tudo na vida. Não vai mais doer tanto. Se o término não me destrói tanto, não há motivos para deixar de tentar. Assim, eu vou, aos poucos, obtendo melhores resultados.

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